Da lisboa Filipina à Lisboa da Restauração

O desaire militar de D. Sebastião em Alcácer-Quibir abriu as portas à união das coroas de Portugal, Castela e Aragão na pessoa de um único soberano, Filipe II, após a derrota de um outro pretendente ao trono, o Prior do Crato, na batalha de Alcântara, às portas de Lisboa, em 1580. Proclamado rei de Portugal e dos Algarves nas cortes reunidas em Tomar no ano seguinte, o novo monarca – agora Filipe I de Portugal – jurou manter os usos e costumes do reino, a utilização do português nos documentos oficiais, a manutenção de uma moeda própria e uma administração separada da de Castela: nascia assim a chamada «União Ibérica».

Inicialmente saudada pelas elites do reino, a União começou a revelar-se desvantajosa a partir do reinado de Filipe III de Portugal, com o reatar do conflito entre a Monarquia Hispânica e as Províncias Unidas dos Países Baixos, a participação de Espanha na Guerra dos Trinta Anos e ainda a crescente centralização do Estado em Madrid, encetada pelo valido do rei, Gaspar de Guzmán, Conde-Duque de Olivares.

O Portugal dos Áustrias conheceria o seu ocaso ao longo da década de 1630, com o avolumar do sentimento anti-castelhano (destacando-se neste contexto o Motim das Maçarocas, no Porto, ou a Revolta do Manelinho, em Évora), que culminaria num golpe palaciano no dia 1 de Dezembro de 1640, quando um grupo de 40 conjurados se dirigiu ao Paço da Ribeira, aprisionou a Duquesa de Mântua, vice-rainha de Portugal, defenestrou o secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos, e proclamou como legítimo soberano o 8.º Duque de Bragança, D. João.

Ao longo deste percurso iremos conhecer alguns dos palácios onde se reuniram os conjurados, os locais dos cortejos e festas ligadas à aclamação de D. João IV, mas também os lugares de conspiração contra o novo monarca e, bem assim, outros pontos de interesse relacionados com a história de Lisboa, quer durante o governo dos Habsburgo (1580-1640), quer durante a Restauração (1640-1668).

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