Da Lx de Salazar à Lx da Revolução

SINOPSE

Da Lisboa de Salazar à Lisboa da Revolução

Em 25 de Abril de 1974, Portugal era, a par de Espanha, uma das últimas ditaduras da Europa Ocidental – um país pobre, atrasado e envolvido numa difícil guerra colonial em três frentes: Angola (1961), Guiné (1963) e Moçambique (1964).

O regime que tutelava o país – instituído na sequência do golpe militar do 28 de Maio de 1926 e da aprovação da Constituição de 1933 – tivera em António de Oliveira Salazar a sua figura de proa entre 1932 até 1968 (altura em que foi substituído por Marcelo Caetano), e contara desde sempre com o apoio das forças armadas para se manter no poder. No entanto, essa situação estava prestes a mudar.

Em 1973 surge o chamado Movimento dos Capitães, um grupo de oficiais milicianos descontentes com o rumo do país e da guerra nas então chamadas províncias ultramarinas, e que se reúne com o propósito de derrubar o regime. Após a fracassada intentona das Caldas da Rainha, em 16 de Março de 1974, os revoltosos preparam a revolução para a madrugada de 25 de Abril seguinte, instalando o seu quartel-general na Pontinha.

Às 22h55 da noite de 24 de Abril, a emissão de «E depois do Adeus» (a música de Paulo de Carvalho vencedora do festival da canção desse ano) dá início ao golpe militar; à 0h20 do dia 25, a transmissão de «Grândola, Vila Morena» (canção de Zeca Afonso proibida pela censura) confirma que o plano está em marcha e dá o mote para Salgueiro Maia, à frente de uma coluna da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, seguir para Lisboa:

«Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto!»

Uma vez na capital, ocupam o Terreiro do Paço e põem cerco ao Quartel do Carmo, onde o presidente da república, Américo Tomás, o presidente do conselho, Marcelo Caetano, e alguns dos seus ministros se refugiaram. Ao final do dia, com a rendição de Marcelo e a entrega do poder ao general António de Spínola – futuro presidente da Junta de Salvação Nacional – consuma-se o golpe militar que passou à história como a «Revolução dos Cravos».

De facto, a revolução ficou associada aos cravos que os populares distribuíram aos militares, tendo passado à história como um dos golpes militares menos violentos de sempre, contando-se apenas quatro cidadãos mortos a tiro pela PIDE junto à sua sede, na Rua António Maria Cardoso.

Este percurso, centrado nos eventos e nos locais ligados ao golpe que pôs fim a 48 anos de ditadura, passará também por vários pontos ligados ao regime que os antecedeu e ao processo revolucionário que se lhe seguiu.

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